Teve início hoje, na UNILA, o VI Congresso Internacional Roa Bastos: Arquivos de Fronteira cujo mote são, especialmente, as obras de Roa Bastos, além de temas interdisciplinares e de fronteira. O evento se divide entre conferências com grandes especialistas, mesas redondas e também performances culturais.
Na abertura do evento, as boas-vindas foram dadas por estudantes da UNILA em diferentes idiomas: guarani, quechua, aimara, espanhol e português, mostrando a diversidade de culturas que convivem na Universidade. Compuseram a mesa o reitor Hélgio Trindade, o superintedente de Comunicação da Itaipu Binacional (Paraguai), Anibal Pozzo, e a professora sênior da UNILA, Alai Diniz, organizadora do congresso.
O escritor argentino Washington Cucurto ministrou a oficina Literatura Selvaje (selvagem). Ele ensinou aos participantes como são produzidos os livros do chamado movimento Kartonera, que nasceu na Argentina e se espalhou pela América Latina, com intuito de divulgar uma literatura alternativa de escritores que não encontram espaço para publicação.
Os livros são feitos com capas de papelão, pintadas artesanalmente, e folhas costuradas. “É uma fabricação de uma forma simples. Desta maneira, não esperamos que os outros façam por nós, mas sim fazemos por nossa conta”, explica Cucurto.
Na mesa redonda Entre Arquivos, a professora da Universidade de Paris 8 (França), Michèle Ramond, abordou na sua apresentação La Frontera interior genérica de la escritura aspectos diversos do último livro de Roa Bastos – Madama Sui . “Esse foi um livro em que o escritor paraguaio confessa abertamente sua vontade de escrever como mulher. É um testamento filosófico, humano no qual afirma que a inteligência do homem não é tudo”, explica Michéle Ramond.
Na conferência Intercambios fronterizos, metamorfosis del espacio y desplazamiento linguísticos, a professora de Letras da Universidade de los Andes (Venezuela), Phil Zambrano, apresentou a novela Código Arapónga, do escritor paraguaio Maribél Barreto. “É um livro em que o autor põe em cena temas que são velados e foram deixados de lado pela historiografia oficial”, explica Zambrano. Ela leu passagens da obra, na qual são abordados temas como conflito e contradições na zona fronteiriça entre Brasil e Paraguai, deslocamento dos camponeses, pobreza rural, além de transformações e perdas da identidade cultural e linguística do povo paraguaio.
Na programação cultural, o grupo Waynas, formado por alunos bolivianos da UNILA, apresentou danças típicas do país: Caporales e Tinkus. Após a apresentação, o primeiro dia do evento foi encerrado com o lançamento de livros e anais do V Congresso Roa Bastos: Cien Años sin Barret.
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