As duas caras do CLAE-Congresso Latino-Americano e Caribenho de Estudantes

 

Registro fotográfico das expectativas e percepções de duas estudantes em um congresso sobre os rumos da educação na América Latina, em seu primeiro ano de UNILA. Daniela Galli (Relações Internacionais e Integração) e Andrea Montano Lourtet (Ciências Econômicas) estiveram em Montevidéu para participar do CLAE-Congresso Latino-Americano e Caribenho de Estudantes, entre 10 e 14 de agosto de 2011.

“Era domingo a tarde, enquanto viajava, pensando no encontro com minha família e amizades do Congresso Latino-Americano de Estudantes não deixavam de dar voltas em minha cabeça. Haviam sido meses de expectativas, falando daquela quantidade de estudantes que viriam para o CLAE, durante o ano passado quando eu, ainda no Uruguai, havia recebido a notícia de que finalmente o CLAE se realizaria em Montevidéu. (...) Entre almoços, oficinas, festas e passeios, Montevidéu recebia estudantes de todo o continente, no qual o fator comum era o sonho de uma América Latina unida: era o Congresso Latino-Americano e Caribenho de Estudantes.”

 

“Minha primeira atividade foi assistir a inauguração, o ato se realizou no palácio Peñarol, um estádio onde estavam 4700 pessoas, quase lotado por nós. (…) Um estádio repleto pelo coro que pedia por uma América Latina livre e com acesso gratuito à educação, cartazes das distintas federações de estudantes estampavam o estádio, assim como também os lemas de grandes personagens da América Latina, como Ernesto Che Guevara, Alfredo Zitarrosa e muitos mais.”

 

“O apoio aos estudantes chilenos pela sua luta por acesso a educação foi pioneiro na inauguração, enquanto delegações de toda América Latina se apresentavam com canções, onde ninguém queria ficar de fora. Um estádio estampado de bandeiras representava o grande número de estudantes, que nesse momento eram divididos por um grande sentimento de nacionalidade, o que também os tornava únicos.

 

 

“Os estudantes estavam na hora do almoço e uma grande fila de pessoas esperava para servir sua comida, enquanto outras pessoas almoçavam sentadas no chão. Bolsas, mochilas e muitos casacos eram testemunhas. A chuva e o frio, o ensopado de lentilhas e o pão eram o menpu do dia, temas como o clima e sabores eram protagonistas nos solos da universidade. Não havia questionamentos sobre as condições do lugar onde se almoçava, mas comentários agradáveis sobre a cidade de Montevidéu.”

 

 

 

“Já começando o encontro, me coloquei a sentar e a observar, não tanto aos expositores, mas aos distintos estudantes que estavam no estádio. Pouco a pouco nos esquecíamos das nacionalidades, já não importava de onde vínhamos e sim quais eram os nossos objetivos, e como íamos fazer para construir um futuro juntos. Não basta apenas dizer, é necessário estar ali e viver, como as quase 5000 pessoas que com cerca de 30 anos se unem com o único objetivo de seguir juntos.”

 

“(...) encontrei vários grupos discutindo sobre a América Latina; não faltaram discussões políticas, assim como discussões em torno da integração, a educação pública e os movimentos sociais. A curiosidade por saber o que é a UNILA também se fez presente: a população universitária não sabia da existência desta universidade, e ficavam surpresos aos escutar que é uma universidade da integração latino-americana, bilingue e com estudantes de vários países latino-americanos.”

 

 

 

 

“Aquela diversidade cultural tinha um mesmo propósito: reinvindicar a unidade de nossos povos latino-americanos e caribenhos, como povos livres e independentes, por meio da educação, a liberdade e a igualdade. E assim que não faltavam cânticos de cada delegação: “alerta, alerta, alerta que caminha o antimperialismo pela América Latina” era um dos mais escutados, reinvindicando esses direitos e chamando a essa unidade e solidariedade entre nossos povos, que por momentos parecia inalcançavel, porem que não deixa de ser um sonho para os 5000 estudantes que ali estiveram e para tantos outros.”

 

 

 

'Com o CLAE chegando ao seu fim, também acabavam minhas férias, cada um para sua casa, parecia que aqueles dias de congresso haviam sido como um parênteses na atualidade latino-americana, assim como as férias também haviam sido na minha vida: era como se tivessemos dado um grande passo para a integração de nossos povos, porém em pequena escala; só eramos estudantes...faltava o resto da sociedade. Havia sido como um sonho, do qual haviamos despertado, para darmos conta que não estávamos nessa América Latina idealizada no congresso: tem que trabalhar e muito para chegar a ter essa realidade num futuro, para acabar com a desigualdade, a injustiça social e muitas injustiças que hoje afetam nossos povos."